O que é uma emulsão?
Uma emulsão é uma suspensão de cristais de halogeneto de prata sensíveis à luz que se utiliza para revelação.
Esta mantém os cristais dispersos, impede-os de se agregarem descontroladamente, ajuda a controlar o tamanho dos cristais e outras propriedades da emulsão, protege-os de agentes nocivos exteriores, depois de seca permite que as soluções passem para o seu interior e atuem sobre os cristais.
A gelatina, quando solúvel em água quente, apresenta viscosidade, é um gel que pode passar a liquido e voltar a ser gel, pode absorver até 90% do seu peso em água, quando seca ao ar, contém 10 a 15% de água e, se perder esta água, poderá quebrar-se.
Na produção de uma emulsão, há 4 fases: precipitação, amadurecimento, lavagem e pós amadurecimento.
- Na 1ª fase é quando ocorre a formação dos cristais e insolúveis
- Na 2ª é o crescimento dos cristais de sais insolúveis
- Na 3ª é a remoção de todos os sais insolúveis
- Na 4ª é a adição da gelatina, agentes sensibilizantes e corantes.
Origem

Frederick Scott Archer (Bishop’s Stortford, 1813 — 1857) foi um escultor inglês que inventou em 1851 a emulsão de colódio úmida, método que viria substituir os processos utilizados pelo daguerreótipo e o calótipo (origens da fotografia).
O processo consistia em uma solução de piroxilina em éter e álcool, adicionada com um iodeto solúvel, com certa quantidade de brometo, e cobria uma placa de vidro com o preparado. Na câmara escura, o colódio iodizado, imerso em banho de prata, formava iodeto de prata com excesso de nitrato. Ainda úmida, a placa era exposta à luz na câmara, revelada por imersão em pirogalol com ácido acético e fixada com tiossulfato de sódio. Em 1864 o processo foi aperfeiçoado e passou-se a produzir uma emulsão seca de brometo de prata em colódio.
Em 1871 Richard Leach Maddox fabricou as primeiras placas secas com gelatina em lugar de colódio. Em 1874 as emulsões passaram a ser lavadas em água corrente, para eliminar sais residuais e preservar as placas.

Muito antes de sua descoberta da placa de emulsão fotográfica seca, Maddox destacou-se na chamada microfotografia – fotografar diminutos organismos sob o microscópio. O eminente microfotégrafo da época, Lionel S. Beale, incluiu imagens feitas por Maddox no frontispício de seu manual Como trabalhar com o microscópio .
Maddox abriu mão de quaisquer direitos sobre sua descoberta, dizendo em uma carta em 1887 que “ele não tinha nem pensado em divulgar o assunto até que ele já havia levantado vôo”. Inicialmente a criação de Maddox era capaz de produzir apenas imagens impressas por contato, copiadas das placas de seu microscópio, devido aos longos tempos de exposição que tornavam essa tecnologia impraticável para imagens feitas com câmeras.
Foram essas origens que levaram-no a buscar a miniaturização e a adaptação das emulsões fotográficas, e que, consequentemente, abriram o caminho para fotografias de pessoas e objetos em movimento e para a cinematografia.
O médico e fotógrafo amador, Dr. Richard Leach Maddox (1816-1902), apercebeu-se que a sua saúde estava a ser afetada pelos vapores causados pelo processo do Colódio e começou a investigar um substituto do mesmo. Maddox publicou, no fim do ano de 1871, no British Journal of Photograph, um artigo denominado como An Experiment with Gelatino-Bromide. Neste artigo, descreveu a sensibilização dos químicos Brometo de Cádmio e Nitrato de Prata. Estes deveriam ser revestidos numa chapa de vidro em gelatina (substância usada para fazer velas).
As chapas de Maddox eram fotograficamente inferiores à chapas de Colódio Húmido da altura. Ele próprio reconheceu que o seu artigo “foi escrito apressadamente e fragmentado” e que “comparada com colódio, a gelatina era mais lenta”.
Em julho de 1873,um fotógrafo londrino, John Burgess, anunciou uma emulsão engarrafada que deu oportunidade a fotógrafos para prepara chapas secas com sensibilidade igual e superior às melhores chapas húmidas. Burgess não revelou o que a emulsão continha, sendo descoberto mais tarde ser brometo de gelatina. Esta foi bem recebida ao início, no entanto, foi descoberto que esta se decompunha rapidamente e que os tempos de exposição não eram iguais aos do colódio húmido – não foi um sucesso comercial.
“Sem medo”, Burgess pôs à venda chapas secas pré emulsionadas. Estas apresentavam imperfeições e também não teve grave sucesso comercial, mas impressionou alguns fotógrafos. Alguns dos problemas da emulsão foram causadas pela acumulação de sais solúveis, que podiam ser removidas por um processo de lavagem defendido independentemente por Joshua King e J. Johnston, em novembro de 1973.

Richard Kennett, revisitou o seu interesse em emulsões de gelatina quando Burgess apresentou os seus produtos. A 20 de novembro de 1873, Kennett patenteou a emulsão de brometo de prata em gelatina seca, à qual chamou película. Quando comercializada, o usuário tinha que dissolver a pelicula em água quente antes de a verter sobre a chapa de vidro; esta teve diferentes reações dos fotógrafos. No final, nem a película, nem as chapas pré-preparadas, que Kennett introduziu mais tarde, tiveram grande sucesso. Uma das críticas à película é que esta dava resultados excelentes mas que era um processo pegajoso e fazia “bagunçada”.
Mesmo com o fracasso dos produtos, afinações como a de W. B. Bolton, adicionar gradualmente a gelatina, de J. Johnston, uso de amónia, e a de Charles Bennett, técnica quente de amadurecimento – levaram ao aperfeiçoamento de chapas com uma qualidade mais consistente, e, mais importante, os tempos de exposição medidos em frações de segundos eram agora possíveis.
A primeira empresa a produzir chapas secas em grandes quantidades foi a Liverpool Dry Plate Company, criada nos anos de 1860. Em 1876 foram introduxidas chapas secas atina de Kennett e, em 1878, as chapas, mais sensíveis, de Bennett.

Quando em 1879, Alfred Harmen criou a Britannia Works Company para produzir chapas secas, havia mais de 20 outras marcas para fazer concorrência. No inicio, eram os trabalhadores que vertiam a emulsão com um bule manualmente e, após alguns anos, as empresas introduziram máquinas que vertiam a emulsão sobre cerca de 12 mil chapas por dia. Por volta de 1891, a empresa de Harmen tomava a liderança na venda de chapas e, 10 anos mais tarde, esta empresa mudou de nome, ficando como a infame Ilford, Limited.
O impacto destas placas foi significativo na história da Fotografia. Deram oportunidade ao fotógrafos para comprar chapas em vez de criar as suas próprias emulsões. Dando-lhes também a possibilidade de não ter de carregar o equipamento todo, nem de andar com um quarto escuro portátil se queriam capturar cenários fora de casa.
Os fotógrafos eram capazes de tirar as suas fotografias usando uma chapa de vidro revestida com uma emulsão de brometo de cádimo e nitrato de prata numa base de gelatina, tornando-a sensível à luz. Isto garantia que a imagem era armazenada de forma segura até regressarem ao seu estúdio e a revelassem num banho de químicos, para a imagem aparecer.
Este processo foi muito usado nos anos de 1900. Os resultados davam mais detalhe e eram mais improváveis de desaparecer com o tempo, o que característico de outros processos.
Processo
O processo utilizado é um dos processos de prata com recurso a revelação, foi usada uma emulsão líquida comercial para sensibilizar os suportes escolhidos.
Na aula, preparámos os suportes para a impressão. Sensibilizámos papel primeiro, o papel usado é da marca Canson Imagine A3.
No laboratório, a luz de segurança foi a vermelha, pois, outras luzes, amarela, azul e ultravioleta, iriam estar a expor.
Para ser feita a sensibilização, a gelatina tem que estar líquida, por isso fez-se banho-maria (35ºC – 45ºC), a gelatina não usada, deve ser guardada no frio para que não perca propriedades.
Para a sensibilização dos papéis usámos a técnica do “barquinho”, técnica em que se dobram as 4 margens da folha, cerca de 2 a 3 cm; dobrando depois os cantos para dentro. Sobre um vidro, colocou-se a folha e verteu-se a emulsão no “barquinho”, movimentou-se o vidro cuidadosamente até que a emulsão cobrisse a folha uniformemente. A folha foi posta no canto do vidro e foi desdobrado um dos cantos para verter o excesso de gelatina. A folha foi deixada a secar para o dia seguinte.
Na aula seguinte, usámos película de analógico fotografada numa aula de Técnicas Fotográficas. Fizemos testes de exposição com auxílio de um ampliador fotográfico . Cobrimos parte da folha com uma cartolina preta e expomos durante alguns segundos, movendo a cartolina pouco a pouco.
Para revelação e fixação da imagem, deve estar 30 a 90 segundos no revelador, 30 segundos no banho de paragem, 10 minutos no fixador e pelo menos 30 minutos na água final com mudanças de água de 5 em 5 minutos.
A prova esteve no revelador 60 segundos, 30 segundos no banho de paragem, 10 minutos no fixador e cerca de 30/40 minutos na lavagem final.

Após o nosso primeiro contacto com este processo, tivemos a oportunidade de experimentar com outros suportes. O meu grupo usou como suporte um pedaço de pedra de mármore, que na aula anterior tinha sido preparada para receber a emulsão com 2 a 3 camadas de verniz em spray. Foi feito o mesmo numa folha de papel (usado na técnica do “barquinho”) para fazer testes de tempo.
Para emulsionar a pedra, em vez de usar a técnica de verter, usámos um pincel para espalhar a emulsão leve e uniformemente. Deixou-se a secar durante uns minutos e depois acelerou-se o processo com um secador de cabelo para ser possível a aplicação de uma segunda camada de emulsão. O mesmo feito com a folha envernizada.
Após a segunda camada estar seca, foram feitos os testes de exposição no papel envernizado e emulsionado, com a mesma técnica da cartolina feita para o papel. Sendo cada exposição de 3 segundos, na zona de foco “a bicicleta.”
As prova estiveram no revelador 60 segundos, 30 segundos no banho de paragem, 5 minutos no fixador e 30/40 minutos na lavagem final.
Ao analisar os tempos, o grupo ficou indeciso entre os 6 e 9 segundos, fazendo, depois, testes na zona de foco. O papel foi posto na diagonal de modo a apanhar tanto os negros, como as altas luzes.


O tempo de exposição decidido pelo grupo foi 6 segundos e a imagem foi tratada (revelação, banho de paragem, fixador) como os testes e esteve na lavagem final cerca de 10/15 minutos pois em alguma altura do processo, a imagem deverá ter lavado com água corrente em cima, o que deteriorou um pouco da mesma.

Referencias:
https://pt.qwe.wiki/wiki/Silver_halide
http://fottosintese.blogspot.com/2009/04/maddox-e-emulsao-da-gelatina-com.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Leach_Maddox
https://en.wikipedia.org/wiki/John_Burgess_(political_scientist)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Frederick_Scott_Archer